quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Estejamos vivos!

Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê, quem não ouve música,
quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda as marcas no supermercado,
não arrisca vestir uma cor nova,
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o "preto no branco" e os "pontos nos is"
a um turbilhão de emoções indomáveis,
justamente as que resgatam brilho nos olhos,
sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante,
desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,
não perguntando sobre um assunto que desconhece
e não respondendo quando lhe indagam o que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo
exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

2 Comments:

Blogger espingarda ideias said...

Bora viver! Bora!
Vá...

3 de fevereiro de 2006 às 09:58  
Blogger Unknown said...

"e vive lentamente feliz quem vive ao segundo, quem deixa os minutos, as horas, os dias, os meses, os anos fora do seu espaço temporal, fora do seu quotidiano...

e vive lentamente feliz aquele que dá por cada um desses segundos, os rapidos e os lentos...

e viveu lentamente feliz quem um dia os consiga desenhar a todos num papel..."

Elblura, in "Passado da Cabeça"

3 de fevereiro de 2006 às 19:24  

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